segunda-feira, 28 de maio de 2012

SUPER HERÓIS E POLÍTICA

"Embora eu tenha o carisma, o dinheiro e os patronos necessários, não tenho a "engrenagem política". A engrenagem que não costuma funcionar pra gente como eu e você..."
 Corvo Sombrio

Em mais uma noite sombria de Gotham City, Batman, o temido cavaleiro das trevas, encontra o esconderijo de um grupo de traficantes que infesta as ruas de sua cidade com diversos tipos de droga. O herói ataca de surpresa e facilmente os derruba um a um, deixando para o Comissário Gordon e seus policiais apenas a tarefa de algemá-los e prende-los.

Em Metrópolis, Superman utiliza sua visão de calor para derreter a arma de um assaltante de banco que tentava inutilmente fugir. O criminoso mal consegue ver o herói se movendo em super velocidade e, instantes depois, está sendo levado para a delegacia mais próxima.

Batman, gerando excluídos e depois os espancando.
Prender criminosos e super vilões faz parte da rotina de qualquer super herói de respeito, algo constantemente explorado em histórias em quadrinhos, no entanto, a maioria destes heróis parece simplesmente não se importar com o fato de estarem combatendo sintomas, enquanto a verdadeira causa da doença permanece intocada.

Apenas tomando como exemplo Batman, Bruce Wayne é um dos homens mais ricos e inteligentes de seu mundo, seu poder e influência são quase ilimitados, sendo capaz de eleger candidatos, ou mesmo ser eleito para cargos onde, poderia alterar drasticamente a política e a economia de sua cidade, estado e até mesmo de sua nação.

Ao invés disso, todas as noites, Bruce Wayne prefere arriscar o pescoço combatendo o crime fantasiado de morcego. Muito provavelmente, no tempo gasto por Batman para prender um único criminoso, Wayne poderia impedir o surgimento de dezenas ou centenas, com políticas apropriadas como a geração de empregos ou mais recursos para segurança e educação.

Batman impede que lhe roubem a carteira mas não consegue impedir que ela fique vazia. Lógico que histórias em que o herói simplesmente "senta o braço" nos marginais são bem mais divertidas para a maioria esmagadora do público.

Embora seja raro, vez ou outra os super heróis abandonam sua visão quase maniqueísta do bem e do mal, e adentram o muito mais perigoso e traiçoeiro ambiente da política, um ambiente onde uma mente brilhante pode fazer muito mais do que o mais poderoso golpe do Super Homem.

O homem mais poderoso do mundo...
O próprio Super Homem já se tornou Presidente dos Estados Unidos, em uma história do tipo "o que aconteceria se..." publicada no Brasil em julho de 1993, pela editora Abril.

Em uma espécie de realidade alternativa, o Homem de Aço aceita concorrer e acaba vencendo as eleições para um dos cargos mais cobiçados do planeta. Sem medo das consequências de seus atos (que pena que Kennedy não era invulnerável), começa a construir um país melhor, combatendo os interesses dos poderosos e colocando um fim em conflitos desnecessários ao redor do planeta.

Logo, as ações do presidente Super Homem fizeram muito mais pelo seu país e pelo mundo, do que o herói conseguiu fazer em toda sua carreira.

Mais recentemente, na relativamente pouco conhecida série "Estrelas Ascendentes (Rising Stars)", publicada em 2007 pela editora Panini Comics, observamos Randy Fisk, o herói conhecido como Corvo Sombrio, desistindo de sua carreira de caçador de criminosos, para se candidatar à presidência dos Estados Unidos.

Randy Fisk - O Corvo Sombrio é eleito!
Com o auxílio de outro herói capaz de conversar com os mortos, Corvo Sombrio desenterrou diversos segredos e conspirações dos políticos norte americanos. Eleito e de posse destas informações, obteve de imediato o apoio de todo o Congresso, que obviamente não queria ver toda a sujeira e podridão transbordar pela imprensa dos Estados Unidos.

Com o orçamento militar congelado e o exército sendo utilizado para auxiliar em programas sociais dentro dos Estados Unidos, a economia resultante permitiu diversos investimentos em áreas como a saúde e a educação. A nação prosperou, o desemprego caiu e as ruas nunca estiveram tão seguras.

Para encerrar, vale a pena recomendar a série "Ex Machina" que vem sendo publicada em encadernados pela Editora Panini Comics, onde o herói conhecido como "Grande Máquina", cujo poder é a capacidade de conversar e comandar qualquer máquina em seu raio de ação, abandona a carreira de herói e consegue se eleger como prefeito de Nova York.

O prefeito que foi herói...
A série intercala momentos passados, quando o "Grande Máquina" ainda voava pelos céus de Nova York, e presentes, quando ele tenta solucionar questões políticas complexas típicas (ou não) do dia a dia de um prefeito.

Estas histórias e séries nos mostram algo um tanto quanto evidente, políticos tem em suas mãos poder suficiente para corrigir os mais terríveis males que afligem nossa sociedade.

Este mesmo poder pode ser utilizado para propósitos mesquinhos, onde a ganância ilimitada gera danos ilimitados, quando os impostos são aumentados e o dinheiro que deveria ser gasto em melhores escolas, hospitais, estradas e obras importantes, é desviado para paraisos fiscais.

As mortes que alguns políticos já causaram em nosso país são capazes de rivalizar com alguns dos mais terríveis vilões que as histórias em quadrinhos e o cinema já viu, com a diferença de que são reais, muito reais.

E adivinhe só, é nosso voto que permite que eles estejam onde estão, nosso voto que lhes concede tamanho poder, e para nossa infelicidade, o nosso horário político obrigatório tem nos mostrado muito mais vilões do que heróis.

Alguém sabe uma maneira de mudar o final dessa história? Uma boa maneira de começar é não elegendo estes seres malignos que nada fizeram pela educação ou pelo nosso país, ou seja, basicamente todos eles...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

ISRAEL, PASSADO ESQUECIDO E ÓDIO FLORESCENDO

"Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram, parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós..."
José Saramago

Em 1933, Adolf Hitler assumiu o poder em uma desesperada Alemanha, dando início a um dos períodos mais sombrios da História da humanidade, onde o ditador colocou em prática todos os planos que já havia mencionado de forma absolutamente clara em seu livro Mein Kampf (Minha Luta).

Em seu regime totalitário o único partido existente era o nazista, enquanto o estado controlava cada aspecto da nação. O exército não mais jurava lealdade à Alemanha, mas sim a Hitler, os jovens nas escolas foram doutrinados, a mídia totalmente controlada, os opositores e indesejados foram caçados e exterminados.


O passado que Israel decidiu esquecer...

Entre as vítimas do regime, sem dúvida alguma, os judeus estão entre aqueles que pagaram o maior preço. Juntamente com os comunistas e os defensores da extinta República de Weimar, foram acusados de serem os responsáveis por praticamente todos os males que assolavam a Alemanha, entre eles a fome, a miséria e o desemprego.

Lojas de judeus foram apedrejadas, os seus bens confiscados, em diversos locais foram expulsos e confinados em áreas conhecidas como guetos, onde a comida era insuficiente, as doenças e a morte se espalhavam rapidamente.

Posteriormente os judeus foram enviados para Campos de Concentração ou de Extermínio, para uma assim chamada "morte produtiva" ou para serem exterminados com assustadora eficiência, naquilo que Hitler chamou de Solução Final. Tratados como gado, ninguém foi poupado, homens, mulheres, crianças, idosos, todos marcharam para a morte nas terríveis câmaras de gás nazistas.

Milhões morreram e após o fim da Segunda Guerra Mundial, o mundo, perplexo, questionava: "Como seres humanos haviam sido capazes de cometer tamanhas atrocidades?"


O ódio contra africanos e palestinos...

Décadas se passaram e agora estamos em Israel, onde encontramos os descendentes daqueles que conseguiram sobreviver aos horrores do Holocausto. Alguns ingenuamente imaginam que este deveria ser o último local onde o ódio encontraria terreno fértil para florescer e prosperar.

Imaginam e se enganam!

Ontem à noite, diversos manifestantes tomaram as ruas de Tel Aviv, protestando contra a presença de milhares de imigrantes ilegais, a maioria deles, sudaneses e eritreus. Fonte

Aos gritos de "sudaneses no Sudão", diversas lojas de africanos foram saqueadas, assim como carros de imigrantes foram apedrejados.

O ministro do Interior, Elie Yishai afirmou:

"Eles devem ser colocados em centros de detenção e, em seguida, precisam ser enviados para casa, porque eles chegam para tirar o trabalho dos israelenses. Precisamos proteger o caráter judaico do Estado de Israel"

Lojas e propriedades apedrejadas? Centros de Detenção? Proteger o estado?

Já ouvimos estas palavras antes, já vimos estas ações antes, e sabemos quais são suas consequencias, os judeus, mais do que qualquer povo na Terra, sabem quais são suas consequencias, e ainda assim, este é o caminho que estão escolhendo.

Caso eu acreditasse em inferno, neste exato momento, em meio às chamas eternas, o diabo estaria tentando compreender o motivo do sorriso estampado na boca de Hitler e de sua legião se seguidores.

Ainda me perguntam a razão pela qual não tenho fé na humanidade...

domingo, 20 de maio de 2012

MATRIX - O AGENTE SMITH ESTAVA CERTO?

"Os seres humanos são uma doença, um câncer neste planeta...e nós somos a cura!"
Agente Smith

Praticamente todos os anos, nas telas dos cinemas ao redor do mundo, a humanidade enfrenta um ou mais inimigos dispostos a promover a extinção da raça humana. O inimigo varia, podem ser alienígenas em naves com campos de força e raios capazes de aniquilar cidades inteiras, robôs assassinos vindos do futuro para eliminar aquele que será o líder da resistência ou, máquinas que escravizaram praticamente toda a raça humana, utilizando seus corpos como baterias e jogando suas mentes em uma espécie de realidade virtual, uma simulação do mundo real, onde suas mentes ficam aprisionadas, acreditando em tudo que lhes é apresentado.

O que é real?
Evidente que neste último caso estamos falando de Matrix, um filme que levou milhões de pessoas ao cinema, repleto de ação e filosofia. 

Aquilo que vemos todos os dias é real ou são apenas sombras projetadas, apenas o que nossa mente acredita ser real?

Esta é uma daquelas discussões que pode levar horas, mesmo dias, e não é este o motivo que me leva a escrever este post, mas sim, uma única pergunta:

 O Agente Smith estava errado?

Smith, interpretado pelo sempre competente Hugo Weaving é o grande vilão do filme, um software que dentro da simulação criada pelas máquinas, assume a forma de um humano e caça rebeldes que estejam buscando sair ou retirar pessoas da Matrix, assim como qualquer ameaça ao sistema.

Embora Smith seja um software com forma humana, ele despreza profundamente a raça humana e todos os seus aspectos, considerados por ele como absolutamente repugnantes.

Vocês são uma doença...
Em um dialogo entre Smith e Morpheus, um dos "líderes" rebeldes, o agente explica que enxerga os seres humanos não como mamíferos, mas como vírus, uma vez que o nosso comportamento se assemelharia muito mais a estes organismos.

Os seres humanos, ao contrário dos demais mamíferos, não se integrariam ao ambiente em que vivem, se multiplicariam com enorme velocidade, consumindo todos os recursos a sua volta, "matando o hospedeiro e se mudando para o próximo".

O planeta estaria infectado pela raça humana e precisando urgentemente de um bom anti-vírus!

Eu sou a cura!
Baseado no que temos visto, na poluição do ar e das nossas fontes de água potável, a devastação de nossas florestas, a extinção de inúmeras espécies, a contaminação do solo e do nosso alimento, a super população que já ultrapassa a absurda barreira dos 7 bilhões de seres humanos, o efeito estufa e todos os males que causamos e continuamos a causar aos animais e a nós mesmos, é possível racionalmente argumentar que o Agente Smith não está pensando de forma absolutamente lógica, como era de se esperar de um programa de computador?

Se neste exato momento estivessemos em uma espécie de Tribunal Superior Intergaláctico (TSI), nele julgando toda a espécie humana, decidindo o seu futuro, e o promotor Smith alegasse que ela não merece continuar habitando o planeta Terra, qual seria a nossa defesa?


Infelizmente, por enquanto, creio que o veredicto não poderia ser outro:  CULPADOS!

terça-feira, 15 de maio de 2012

CHAEL SONNEN - O ANDY KAUFMAN DO UFC


“Anderson Silva, o grande herói nacional deles, acaba de colocar US$ 2 milhões numa mansão em Los Angeles. Los Angeles é nos Estados Unidos, para aqueles que não são bons em geografia."

Com seus comentários provocativos, Chael Sonnen parece ter se transformado no inimigo público número 1 dos fãs brasileiros de Anderson Silva e do UFC (Ultimate Fighting Championship), os mais empolgados o promoveram a inimigo declarado da nação brasileira, torcendo como nunca para que Silva não apenas o derrote, mas o faça de forma definitiva, incontestável e humilhante.

Não é para menos que ele seja tão odiado, em sua campanha para enfrentar o lutador brasileiro pelo campeonato dos Pesos Médios, Sonnen afirmou que aposentaria Silva e disparou diversas frases ofensivas ao povo brasileiro, entre elas, pérolas como o fato de não saber que no Brasil já haviam computadores e internet, e que em sua visita ao nosso país, levaria uma mala com brindes, itens como sabonetes, xampu e fio dental, coisas que evidentemente os brasileiros não estão acostumados a utilizar.

Anderson Silva, eu quero você!
O que grande parte do público e dos patriotas de plantão não parece perceber, é que Sonnen está representando, descaradamente atuando para as câmeras e, no melhor estilo Apollo Creed, vem aumentando o ódio dos fãs brasileiros, a audiência de sua luta com o Rocky Balboa tupiniquim (provavelmente será a maior de todos os tempos) e os milhões de dólares que ambos irão receber por ela. 

O falastrão norte americano parece se espelhar em Andy Kaufman, ator e comediante que morreu em 1984, especialista em provocar o público sem avisar que estava interpretando um personagem, que tudo aquilo não passava de uma atuação. Ele, assim como Sonnen, percebeu que um bom vilão, aquele que é o mais odiado, gera enorme audiência (Odete Roitman que o diga).

O "lutador" e comediante Andy Kaufman
Para se ter uma idéia de como Kaufman era mestre em atrair a antipatia do público, o ator, embora não tivesse físico ou resistência para tanto, entrou para o ramo da luta livre norte americana, com uma diferença crucial, ele só enfrentava mulheres, a quem chamava constantemente de fracas, estúpidas e feitas para trabalhar no serviço doméstico.

Em uma luta no interior dos Estados Unidos, chamou o público de caipira e ofereceu a eles sabão, algo que, segundo ele, desconheciam (e você achando que Sonnen inovou nessa provocação não é?). Tudo parte do show, parte de um espetáculo previamente elaborado e já combinado entre o comediante e suas oponentes. A audiência, desavisada, comprou a idéia e passou a odiar Kaufman.

Sonnen, entretanto, em meio a tantas provocações e em sua performance teatral, lançou no ar algumas questões incômodas.

Muitos transformaram a luta em uma guerra entre o bem e o mal, entre o homem que ofendeu toda uma nação e o herói brasileiro. Torcer para Anderson Silva seria, portanto, uma obrigação patriótica, torcer contra ele, uma verdadeira traição dos valores nacionais.

Em entrevista, o norte americano questiona este status de herói nacional conferido a Anderson Silva, assim como o respeito que os seus fãs exigem:

Vocês vão me odiar...
"Claro, há limites para tudo, mas o lance do respeito é bobagem. Não dou um passo no Brasil sem ouvir essa palavra. Não dizemos isso nos EUA, não falamos sobre respeito, a não ser em referência aos idosos e aos pais. Respeitamos os mais velhos, não respeitamos lutadores. Olhe para ele, ele está ali atrás de você, no pôster, seminu. O cara luta em uma gaiola de ferro por dinheiro e pelos aplausos de um público bêbado. Se isso merece respeito no Brasil, vocês precisam refletir sobre vocês mesmos e sobre sua cultura."

Sábias palavras do odiado Chael Sonnen. Já escrevi neste blog sobre o UFC e como sequer o considero um esporte ou uma diversão interessante, o vejo como um verdadeiro desperdício do potencial humano, no entanto, jamais defendi sua proibição, uma vez que, como já foi dito logo acima, existem duas pessoas dispostas a entrar em uma jaula e lutar, assim como um público disposto a pagar pelo espetáculo.

Agora querem transformar a luta de Anderson Silva e Chael Sonnen, em algo mais do que dois homens adultos entrando em uma jaula e lutando um contra o outro por milhões de dólares, querem transformar a luta em um confronto entre Estados Unidos e Brasil, entre herói e vilão.

Não é! São apenas negócios...



quinta-feira, 10 de maio de 2012

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATES

"A vida é um tristeza tão doce..."


Alguns filmes marcam sua infância e se transformam imediatamente em um Clássico, daqueles que você irá se lembrar com uma imensa dose de nostalgia pelo resto de sua vida, este é o caso de "A Fantástica Fábrica de Chocolates", filme de 1971, dirigido por Mel Stuart, contando com a atuação de Gene Wilder como Senhor Wonka, o proprietário da incrível Fábrica de Chocolates que dá nome ao filme.

O filme é baseado em um livro infantil escrito em 1964, porém, cumpre a tarefa de encantar crianças e adultos ao mesmo tempo, com um roteiro simples que mescla um pouco de magia, uma boa dose de crítica aos péssimos hábitos que encontramos em crianças mimadas pelos pais e pitadas de humor salpicadas na hora certa.

A História gira em torno de Charlie (o nome original do filme é Charlie and the Chocolate Factory), um garoto pobre que deseja mais do que tudo na vida encontrar um dos cinco bilhetes dourados, escondidos nas milhões de barras de chocolate Wonka. As cinco crianças sortudas que encontrarem os bilhetes ganham um suprimento eterno de chocolate Wonka (e precida mais do que isso?) e o direito de visitar, juntamente com um acompanhante, a Fábrica de Chocolates de Willy Wonka, fechada há tempos para o grande público, fazendo com que seu interior se transforma-se em mistério absoluto.


Charlie acha o bilhete dourado em um chocolate Wonka.

Lógico que, contra todas as probabilidades, no último instante, Charlie acaba encontrando o sonhado bilhete dourado e ganhando o direito de visitar a misteriosa Fábrica Wonka, e é aqui que a viagem literalmente começa.

Os efeitos especiais não ajudam, afinal estamos falando de um filme de 1971, porém, isso pouco importa, somos realmente levados para um mundo fantástico ao adentrar as portas da fábrica, com destaque para a sala onde há um rio e uma cachoeira de chocolate, assim como árvores, grama e cogumelos feitos de doce.

É o paraíso para qualquer criança...

Há, no entanto, algo de errado nesse paraíso, e são justamente as crianças. As 4 crianças que também acharam bilhetes dourados e acompanham Charlie são produtos da incapacidade e negligência dos seus pais, fazendo com que se transformassem em péssimos exemplos de comportamento.


A mimada e insuportável Veruka Salt

Crianças como a pequena e insuportável Veruca Salt, cujo milionário pai gastou milhões em chocolate e paralisou a própria fábrica, para que as funcionárias ficassem em tempo integral procurando pelo bilhete dourado, pois a filha exigia ganhar o prêmio.

Veruca foi extremamente mimada pelos pais que desde sempre atenderam a cada um dos seus desejos, resultando em uma criança que não sabe o significado da palavra "NÃO".

Além dela e de Charlie, temos um garoto obeso que não para de comer doces (e ele está em uma fábrica de chocolates, tente imaginar as consequencias disso), uma garota que não para de mascar chiclete (está mascando o mesmo a 3 meses), e um garoto que não sai da frente da televisão por nada (abriu uma exceção para visitar a fábrica).


Willy Wonka e os Oompas Loompas

Todas estas crianças com comportamentos nocivos e aceitos por seus pais terão, ao seu tempo, um fim, por assim dizer, "trágico" na Fantástica Fábrica de Chocolates, para logo depois, sermos agraciados com um divertido número musical dos Oompas Loompas, os pequeninos trabalhadores de cara alaranjada e cabelo verde do senhor Wonka.

Impossível não ficar com o refrão da música dos Oompas Loompas em sua mente, demora muito tempo para desaparecer.

O final, é claro, é previsível, porém neste filme não é o final que importa, é a viagem, e essa é, como o próprio filme anuncia, fantástica.

Em 2005, Tim Burton refilmou a obra e deu-lhe nova roupagem, tendo no papel de Willy Wonka, o ator mutante Johnny Deep, o resultado foi bom, mas como era de se esperar, diversos fãs do filme original não gostaram da obra. 

Nunca é tarefa simples trabalhar com filmes que marcaram a infância de tantas pessoas, de toda forma, ainda que assista o filme de 2005, com certeza vale a pena assistir o clássico de 1971, só não deixe de visitar a Fábrica do senhor Wonka.


segunda-feira, 7 de maio de 2012

O TRIUNFO DA VONTADE E O PODER DA PROPAGANDA POLÍTICA

"Toda propaganda deve estabelecer seu nível intelectual segundo a capacidade de compreensão dos mais obtusos entre aqueles aos quais se dirige. Seu nível intelectual será, por isso, tanto mais baixo quanto maior a massa de homens que se procura convencer..."
Adolf Hitler

A propaganda política é uma arma poderosa, capaz de apontar sem maiores explicações os culpados pelos males que afligem uma nação, assim como uma ideologia, um partido ou mesmo uma pessoa salvadora, um messias capaz de guiar o povo para longe do desemprego, da fome, da miséria e da falta de objetivo.

Não há a necessidade de se dizer a verdade ou apresentar fatos que corroborem as idéias apresentadas, basta que a propaganda seja convincente e baseada em um líder carismático para que milhões "comprem" o que lhes é oferecido.

A prova do devastador poder desta arma está na forma como foi utilizada pelos nazistas. Um dos pilares do regime e encabeçada por Joseph Goebbels, Ministro da Informação Popular e Propaganda nazista, a propaganda política foi utilizada com perfeição para espalhar os ideais nazistas por toda a Alemanha.

Segundo o ministro, a igreja católica permanecia viva por repetir as mesmas idéias durante 2000 anos, o regime nazista deveria seguir o mesmo caminho. As mensagens deveriam ser curtas, repetitivas, simples e capazes de exercer forte influência psicológica. Não por acaso, Goebbels inspirou boa parte de sua propaganda na publicidade comercial norte-americana, que naquela época já incorporava técnicas sofisticadas, visando convencer a população a consumir o máximo possível. A diferença crucial é que o produto a ser vendido pelos nazistas era a ideologia do partido, a crença de que Hitler seria o salvador e de que a raça ariana era a mais pura.

Sexto Congresso de Nuremberg
No documentário "O Triunfo Da Vontade", filmado em 1934, a pedido do líder nazista, podemos perceber o valor dado à propaganda, assim como a capacidade que Adolf Hitler tinha de comover e convencer multidões de suas idéias.

O documentário cobre os eventos ocorridos durante o Sexto Congresso do Partido Nazista, realizado na cidade de Nuremberg. (após a derrota da Alemanha os aliados escolheriam justamente esta cidade para julgar os líderes nazistas por crimes de guerra).


A grandiosidade do evento impressiona, e sem dúvida alguma este é o objetivo, impressionar a Alemanha e o mundo todo com o imenso poder do Partido Nazista.

Dezenas de milhares de membros do partido posicionados em colunas ovacionam o seu líder, bandeiras nazistas podem ser vistas em cada canto do Congresso, em número muito superior do que a própria bandeira alemã. Todos precisam entender que Hitler agora personifica a nova Alemanha, sua vontade deve ser a vontade do povo alemão e aqueles que discordam são inimigos declarados do povo.

Trabalhadores portando suas pás juram fidelidade à Hitler.
Uma enorme importância é dada aos trabalhadores que irão erguer a futura nação, em determinado momento, milhares de trabalhadores, trajados com uniformes do Partido Nazista se posicionam como se fossem soldados e juram fidelidade à Hitler. Eles não portam armas, portam pás e picaretas, não estão na frente de batalha, mas se consideram soldados à serviço da Alemanha. É de suma importância para o sucesso do regime atrair os operários e os afastar do perigo comunista, combatido arduamente pelo regime.

No Documentário também podemos observar a especial atenção dada à juventude Hitlerista. Hitler discursa para os jovens, dizendo a todos que sobre seus ombros repousa o futuro da gloriosa Alemanha, que portanto devem se dedicar, se preparar, devem desejar a paz, mas estar prontos para o conflito quando este chegar.

A juventude sendo conquistada pela propaganda nazista.
Evidente que a palavra paz não estava nos planos de Hitler, mas ele sabia que necessitaria do apoio da juventude alemã, assim como dos operários. O Congresso buscava criar a imagem de que toda a Alemanha estava unida em torno da ideologia nazista, única capaz de reerguer a nação, enfraquecida após a derrota na Primeira Guerra Mundial e a devastadora Crise de 1929.

São feitas inúmeras promessas materiais ao povo, fim da miséria, emprego, salários maiores, comida mais barata, e é claro, o fortalecimento da raça ariana e expulsão dos "verdadeiros culpados", os judeus.

O documentário "O Triunfo da Vontade" está disponível em vídeo e é fundamental para quem deseja entender como funcionou a máquina de propaganda nazista, além de ser extremamente recomendável para todas as pessoas que por ventura ficam tentadas a acreditar em tudo o que "o seu partido" diz na propaganda política.

O vídeo abaixo mostra Hitler discursando para os jovens, e nele podemos observar a sua habilidade de convencer multidões. A frase "uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade" resume bem o que aconteceu naquela época e o que por vezes ainda acontece nos dias de hoje.


sábado, 5 de maio de 2012

COTA RACIAL OU COTA SOCIAL?

"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra."
Bob Marley

Vamos deixar algo bem claro antes de começar a expressar minha opinião sobre o assunto, não sou racista, para mim, a cor da pele não representa absolutamente nada, não considero o fato de você ser branco, negro, pardo, amarelo, verde com bolinhas roxas, azul com listras vermelhas, ou qualquer outra cor que você conseguir imaginar, motivo para que lhe tratem mal ou bem, motivo para orgulho ou vergonha, atestado de inteligência ou ignorância, serão sempre suas ações e não a cor de sua pele, que irá determinar quem você é.

Creio ser importante esclarecer isso, porque tenho visto ambos os lados, defensores e opositores das cotas raciais, acusando o outro lado de prática racista, de serem objetivamente racistas. Os defensores das cotas acusam os opositores de tentarem impedir o acesso do negro à universidade, perpetuando assim a desigualdade social entre brancos e negros. Os opositores das cotas acusam os defensores de assumirem perante a sociedade que o negro é inferior ao branco, que ao contrário do branco, este precisaria de ajuda para chegar até a universidade, uma espécie de racismo reciclado.

O pato branco irado com os patos negros.
Pois bem, ouvi e li argumentos dos dois lados, e acabei me posicionando contra as cotas raciais.

É óbvio que existe uma dívida histórica a ser quitada pela sociedade brasileira, porém o termo "dívida histórica" deve ser tratado com um certo cuidado.

Quando a escravidão foi abolida em nosso país, milhões de negros foram jogados para viver em uma sociedade que não os queria, e, mais do que isso, sem a menor possibilidade de competir em condições de igualdade com os brancos, incluindo nesta equação os imigrantes europeus que por essas terras chegavam.

Durante centenas de anos, os negros foram vítimas da instituição "escravidão". Isso é fato, não há como negar, e em decorrência desta instituição e de seus efeitos nocivos na sociedade, enxergamos um abismo entre a renda dos negros e dos brancos no Brasil e nos países que utilizaram a escravidão moderna como fonte de mão de obra.

Nem por isso, é claro, todo negro será necessariamente pobre e todo branco necessariamente rico, e é neste ponto que começa o grande problema das cotas raciais. Neste exato momento, sentados lado a lado em uma classe de ensino médio, em uma escola pública, estão um negro e um branco, ambos pobres, ambos com famílias que mal tem condições de pagar as contas e colocar comida na mesa, ambos estudando em condições precárias. O que devemos dizer ao branco quando o seu colega negro ganhar uma vaga na faculdade e ele não? Sinto muito, mas você tem uma dívida histórica a ser paga, o seu colega é descendente dos antigos escravos e você descendente dos antigos escravocratas, por isso ele terá direito a uma vaga na faculdade e você não!


O "sistema de cotas" considerou um irmão negro e o outro branco.

Acreditem, se o objetivo é diminuir o racismo na sociedade brasileira, creio que as cotas irão apenas atiçar o fogo deste sentimento absurdo, determinando que haja uma diferença legalizada entre pessoas de cores diferentes. Se o problema a ser corrigido é a desigualdade social entre negros e brancos, levando em consideração que boa parte dos negros hoje se encontra nas famílias com renda mais baixa, a cota social se mostraria mais eficiente e com menos possibilidade de gerar polemica. Digo menos, não que não geraria polemica.

A cota social levaria em consideração apenas a renda e não a cor da pele, abraçando assim a maioria dos negros que não tem recursos para pagar uma educação de qualidade, assim como os brancos, amarelos, índios, pardos e verdes com bolinhas roxas de baixa renda. Vozes ainda se levantariam contra essas cotas, mas provavelmente seriam em número bem mais reduzido. A cota social não coloca o negro como uma pessoa de capacidade intelectual reduzida, mas em condições de igualdade com todos, ao mesmo tempo que não rompe com décadas de esforços para convencer a todos do óbvio, cor da pele não define absolutamente nada.

Morgan Freeman sobre o mês da Consciência Negra

A cota social é a solução? Não, não é, nunca será! Apenas um remédio a curto prazo, a única maneira de se corrigir de fato a desigualdade social que reina em nosso país é o investimento maciço no ensino fundamental público, mas isso leva tempo e demanda vontade dos nossos governantes. É muito mais rápido e prático remendar a situação com as chamadas cotas, garantindo assim votos preciosos nas eleições.

Para encerrar, um último dado interessante, qual o critério que devemos utilizar para definir se uma pessoa é negra ou branca? A UnB (Universidade de Brasília) analisou as fotos de dois gêmeos univitelinos (idênticos) e concluiu que um era branco e outro era negro, fazendo com que o segundo tivesse direito a uma cota e o primeiro não. Fonte

Qual teria sido o critério?

Cotas sociais são mais justas...