"Embora eu tenha o carisma, o dinheiro e os patronos necessários, não tenho a "engrenagem política". A engrenagem que não costuma funcionar pra gente como eu e você..."
Corvo Sombrio
Em mais uma noite sombria de Gotham City, Batman, o temido cavaleiro das trevas, encontra o esconderijo de um grupo de traficantes que infesta as ruas de sua cidade com diversos tipos de droga. O herói ataca de surpresa e facilmente os derruba um a um, deixando para o Comissário Gordon e seus policiais apenas a tarefa de algemá-los e prende-los.
Em Metrópolis, Superman utiliza sua visão de calor para derreter a arma de um assaltante de banco que tentava inutilmente fugir. O criminoso mal consegue ver o herói se movendo em super velocidade e, instantes depois, está sendo levado para a delegacia mais próxima.
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| Batman, gerando excluídos e depois os espancando. |
Prender criminosos e super vilões faz parte da rotina de qualquer super herói de respeito, algo constantemente explorado em histórias em quadrinhos, no entanto, a maioria destes heróis parece simplesmente não se importar com o fato de estarem combatendo sintomas, enquanto a verdadeira causa da doença permanece intocada.
Apenas tomando como exemplo Batman, Bruce Wayne é um dos homens mais ricos e inteligentes de seu mundo, seu poder e influência são quase ilimitados, sendo capaz de eleger candidatos, ou mesmo ser eleito para cargos onde, poderia alterar drasticamente a política e a economia de sua cidade, estado e até mesmo de sua nação.
Ao invés disso, todas as noites, Bruce Wayne prefere arriscar o pescoço combatendo o crime fantasiado de morcego. Muito provavelmente, no tempo gasto por Batman para prender um único criminoso, Wayne poderia impedir o surgimento de dezenas ou centenas, com políticas apropriadas como a geração de empregos ou mais recursos para segurança e educação.
Batman impede que lhe roubem a carteira mas não consegue impedir que ela fique vazia. Lógico que histórias em que o herói simplesmente "senta o braço" nos marginais são bem mais divertidas para a maioria esmagadora do público.
Batman impede que lhe roubem a carteira mas não consegue impedir que ela fique vazia. Lógico que histórias em que o herói simplesmente "senta o braço" nos marginais são bem mais divertidas para a maioria esmagadora do público.
Embora seja raro, vez ou outra os super heróis abandonam sua visão quase maniqueísta do bem e do mal, e adentram o muito mais perigoso e traiçoeiro ambiente da política, um ambiente onde uma mente brilhante pode fazer muito mais do que o mais poderoso golpe do Super Homem.
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| O homem mais poderoso do mundo... |
O próprio Super Homem já se tornou Presidente dos Estados Unidos, em uma história do tipo "o que aconteceria se..." publicada no Brasil em julho de 1993, pela editora Abril.
Em uma espécie de realidade alternativa, o Homem de Aço aceita concorrer e acaba vencendo as eleições para um dos cargos mais cobiçados do planeta. Sem medo das consequências de seus atos (que pena que Kennedy não era invulnerável), começa a construir um país melhor, combatendo os interesses dos poderosos e colocando um fim em conflitos desnecessários ao redor do planeta.
Logo, as ações do presidente Super Homem fizeram muito mais pelo seu país e pelo mundo, do que o herói conseguiu fazer em toda sua carreira.
Mais recentemente, na relativamente pouco conhecida série "Estrelas Ascendentes (Rising Stars)", publicada em 2007 pela editora Panini Comics, observamos Randy Fisk, o herói conhecido como Corvo Sombrio, desistindo de sua carreira de caçador de criminosos, para se candidatar à presidência dos Estados Unidos.
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| Randy Fisk - O Corvo Sombrio é eleito! |
Com o auxílio de outro herói capaz de conversar com os mortos, Corvo Sombrio desenterrou diversos segredos e conspirações dos políticos norte americanos. Eleito e de posse destas informações, obteve de imediato o apoio de todo o Congresso, que obviamente não queria ver toda a sujeira e podridão transbordar pela imprensa dos Estados Unidos.
Com o orçamento militar congelado e o exército sendo utilizado para auxiliar em programas sociais dentro dos Estados Unidos, a economia resultante permitiu diversos investimentos em áreas como a saúde e a educação. A nação prosperou, o desemprego caiu e as ruas nunca estiveram tão seguras.
Para encerrar, vale a pena recomendar a série "Ex Machina" que vem sendo publicada em encadernados pela Editora Panini Comics, onde o herói conhecido como "Grande Máquina", cujo poder é a capacidade de conversar e comandar qualquer máquina em seu raio de ação, abandona a carreira de herói e consegue se eleger como prefeito de Nova York.
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| O prefeito que foi herói... |
A série intercala momentos passados, quando o "Grande Máquina" ainda voava pelos céus de Nova York, e presentes, quando ele tenta solucionar questões políticas complexas típicas (ou não) do dia a dia de um prefeito.
Estas histórias e séries nos mostram algo um tanto quanto evidente, políticos tem em suas mãos poder suficiente para corrigir os mais terríveis males que afligem nossa sociedade.
Este mesmo poder pode ser utilizado para propósitos mesquinhos, onde a ganância ilimitada gera danos ilimitados, quando os impostos são aumentados e o dinheiro que deveria ser gasto em melhores escolas, hospitais, estradas e obras importantes, é desviado para paraisos fiscais.
As mortes que alguns políticos já causaram em nosso país são capazes de rivalizar com alguns dos mais terríveis vilões que as histórias em quadrinhos e o cinema já viu, com a diferença de que são reais, muito reais.
E adivinhe só, é nosso voto que permite que eles estejam onde estão, nosso voto que lhes concede tamanho poder, e para nossa infelicidade, o nosso horário político obrigatório tem nos mostrado muito mais vilões do que heróis.
Alguém sabe uma maneira de mudar o final dessa história? Uma boa maneira de começar é não elegendo estes seres malignos que nada fizeram pela educação ou pelo nosso país, ou seja, basicamente todos eles...
























