Janeiro de 2012, quase 100 anos após o naufrágio do lendário Titanic, o navio Costa Concórdia, transatlântico com capacidade para levar quase 5.000 pessoas entre tripulantes e passageiros, colide com rochas na costa da Itália e naufraga. Assim como em 1912, a tecnologia não impediu o desastre e o papel do capitão do navio foi crucial para que o mesmo ocorresse.
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| Titanic, antes de partir para sua última viagem. |
Em abril de 1912, o Titanic partia para sua viagem inaugural, era o maior, mais moderno e mais luxuoso transatlântico já construído, levando cerca de 1300 passageiros e 900 tripulantes. Em sua primeira classe estavam algumas das pessoas mais ricas da sociedade britânica e o seu capitão era o experiente Edward John Smith, veterano de muitas viagens marítimas.
Tudo isso conferiu ao navio a reputação de inafundável, reputação esta que iria desmoronar logo em sua viagem inaugural, fazendo com que entrasse para a História e para o imaginário popular. A empresa dona do Titanic queria que o mesmo fosse conhecido não apenas como o maior a mais luxuoso navio de sua época, mas também como o mais rápido, por isso insistiram que o capitão mantivesse a velocidade, visando chegar ao seu destino, Nova York, antes do tempo previsto.
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| O Veterano Capitão do Titanic. |
Com diversos avisos de gelo na região e navegando a noite, o indicado era que o Capitão Smith, maior autoridade dentro do navio, diminuisse a velocidade para evitar choques contra Icebergs, mas o mesmo preferiu confiar na fama do Titanic e que qualquer Iceberg grande o suficiente para afundar o navio pudesse ser avistado a tempo. O capitão estava errado e pagou preço caro por isso!
No dia 14 de abril o vigia do Titanic avistou um Iceberg e avisou a Ponte de Comando, mas o aviso chegou tarde demais, fazendo com que o navio colidisse contra o gigante de gelo. Os danos causados foram severos demais e o Titanic naufragou, levando consigo 1522 almas para o fundo do oceano, incluindo o capitão, que sem botes suficientes para salvar a todos, e transtornado pela tragédia que sua imprudência havia causado, preferiu afundar junto com o navio.
Um século depois, o navio Costa Concórdia supera em tudo o Titanic, é maior, mais pesado, possui capacidade para mais passageiros e é bem mais moderno e seguro. Nada disso impediu um novo acidente, pois seu capitão, Francesco Schettino, também de forma imprudente, se aproxima demais da costa e acaba colidindo o navio com rochas, abrindo um rombo no casco e fazendo com que naufragasse.
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| Costa Concórdia afundando lentamente. |
A tragédia não tomou os mesmos contornos da que ocorreu com o Titanic, pois o navio está próximo da costa e não em alto mar, a temperatura da água não é nem de longe tão gelada e o socorro, por razões óbvias chega bem mais rápido ao local.
Enquanto Smith afundou com o navio que estava sob seu comando, o capitão Schettino não pareceu se importar com as possíveis vítimas de sua imprudência, abandonando o navio na primeira oportunidade, deixando os passageiros em situação desesperadora.
O comandante Gregorio Maria De Falco, da Capitania do Porto de Livorno, em conversa gravada, ordena que Schettino retorne ao local do naufrágio e comande as operações de resgate, informando quantas pessoas precisam ser salvas.
O capitão se esquiva, ignora as ordens e não retorna ao navio.
Não se esperava, evidente, que Schettino tivesse o mesmo destino que Smith, que afundasse com seu navio, viver faz parte das prioridades dos seres humanos normais, mas o mínimo que se esperava do capitão era que ficasse e comandasse as operações de resgate dos passageiros que estavam sob sua responsabilidade e que corriam risco de vida devido às suas decisões.
Ambos os navios naufragaram, Smith morreu, Schettino fugiu!
Então, décadas se passaram, o mundo mudou e a pergunta que fica é: Do Titanic para o Costa Concórdia, o quanto evoluimos? De Smith para Schettino, o quanto o ser humano evoluiu?




vedade
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